Alguém disse no outro dia que quando (nos) damos aos outros e à vida, acabamos por receber sempre em igual ou maior proporção o que demos - hoje conheci essa pessoa. Nos últimos tempos deixei de acreditar em tanta coisa. Deixei de sonhar como sonhava. Deixei de confiar nas minhas capacidade como confiava, mas cada vez acredito mais que as pessoas certas tornam todos os momentos únicos, e eu estou rodeado delas. A vida hoje sorriu-me, pregou-me uma partida das boas, mostrou-me como o destino é mais certo que chuva em Abril. Hoje foi um dia feliz. E feliz vou eu com um sorriso na cara, mala ao ombro e casaco comprido. Hoje podia ter voltado a acreditar e não voltei. Mas porra, ao menos sou feliz!
Sonhei tanto contigo, meu amor:

Enquanto fumava o último cigarro num qualquer festival de verão, enquanto procurava conforto nas noites frias de inverno ou enquanto regressava a Portugal num Boeing 737-800.Procurei-te tanto entre as pedras da calçada, entre os raios do sol de inverno e entre cada grão de café que moí. Desejei-te secretamente enquanto assistia ao pôr-do-sol no Alentejo, quando mordi aquela vela no meu aniversário ou quando vi aquela estrela cadente.
Desejei sempre o mesmo: amor.
A vida levou-me até ti e se difícil foi encontrar-te, fácil demais foi perceber que o amor és tu. Seja na linha d’água, no Rossio ou na minha cama. Com um L&M no bolso da camisa e café na mão ou com vertigens na minha varanda. Com um brilho no olhar a fazer o que mais gostas ou deitado comigo no parque Eduardo VII.
Não sabia que os sonhos se podiam concretizar assim, nem sabia que era possível desejar tanto o presente. Mas sempre acreditei que o amor vence, e nós vencemos todos os dias.
Obrigado por teres atribuído um novo significado à palavra 'amor' e por teres feito dele o melhor sentimento do mundo.

O amor és tu,
Nuno.


De todas as varandas do Mundo e de Lisboa foi a minha que tu escolheste. E foi também nela que me deixaste naquela manhã. 

Desassossegaste o meu ser, deixaste a tua marca em cada parte do meu corpo e pintaste o teu nome nas paredes do meu quarto. Reviraste os meus lençóis, estreaste a campainha lá de casa e comeste a minha última barrita.

Já comprei mais barritas, o teu cheiro continua na minha almofada, os lençóis continuam revirados e a campainha continua à espera dos teus dedos. Tal como eu.

Só faltas tu. Partiste tão ou mais depressa como chegaste.

O telefone não vibra, a campainha não toca e eu ainda não desisti de espreitar à janela. 

O problema é mesmo esse. Ainda não ter desistido e continuar na esperança de te ver subir a rua de casaco comprido, mochila às costas e sorriso na cara. 

A minha mãe sempre me disse para não brincar com o fogo.
E foi logo contigo que eu fui brincar.


Costumava sentar-me aqui.
Aliás costumava sentar-me mais vez onde estou.
Aqui fiz longas chamadas no telefone. Era neste preciso lugar onde me refugiava e procurava o conforto do sol ou simplesmente o observava a esconder-se no horizonte, ao mesmo tempo que desejava poder fazer o mesmo.
Aqui chorei de frustração e de desilusão. Foi aqui.
Aqui fumei longos cigarros enquanto procurava novos caminhos e outras soluções.
Aqui pedi ajuda quando mais precisei.
Hoje voltei a sentar-me no mesmo sítio de sempre - aqui. Não me lembro sequer da última vez que o fiz, parece tudo tão distante. 
Acho que é bom sinal não me sentar aqui com a mesma frequência.

E nunca devemos ignorar os sinais que a vida nos dá.
Fui - para ali.


Estou literalmente nas nuvens, entre mim e o solo encontram-se 7.620 metros, altitude suficiente para me deixar longe de tudo o que me impede de ser eu. O sol parece-me mais quente aqui. Aquece ele, e aqueço eu (!). A turbulência embala-me e quando fecho os olhos sinto esta sensação. Este calor agradável que me transmite segurança e me reconforta como se mãos gigantes de algodão me suportassem. Arrisco-me a dizer que o meu coração emana calor (?)

Sei, e melhor que ninguém , que mereço. Mereço todos os raios de sol, todas as noites de verão e todos os mimos que um dia me vais dar. Se há dias e noites em que ainda dúvido do karma, esta é mais uma prova de que ele é infalível.

Seja numa rua em Odeceixe, numa praia do Algarve ou no 69A em Notting Hill, eu sei que me encontrei. E dentro da minha mala, no meio dos cigarros, das chaves e das moedas, encontrei tudo aquilo que procurava à tanto tempo. Menos a ti. 

Tento ler mais um capítulo mas na minha cabeça as palavras divergem e dão lugar a novos significados. Ainda não te encontrei. 

Olho para o lado mais uma vez. E para o outro.  Ainda não chegaste. 

A felicidade é momentânea. E eu estou tão feliz.

Só faltas tu amor, 
anda daí. 

Queria eu arranjar palavras para descrever os teus olhos. Queria eu arranjar palavras para descrever o teu corpo. Queria eu arranjar palavras para descrever essa maneira deliciosa de te expressares. Queria eu arranjar palavras para descrever o que só tu me fizeste sentir. Queria eu arranjar palavras para descrever o meu olhar. Queria eu ser o pano que tu puxas com tanta garra e agilidade. Queria eu deslizar entre os dedos das tuas mãos. Queria eu simplesmente ser teu.
Os sonhos não duram para sempre. E este durou muito pouco.
***
O dinheiro não devia controlar a nossa vida desta forma. Não é justo.
***
Até as pedras da calçada sorriem quando te veem passar. Pudera. Não são as únicas
**
Vivo as tuas felicidades como se fossem minhas. Torço por ti mais vezes do que pensas. E procuro-te outras tantas na minha mente. A minha voz embarga-se em orgulho quando falo das tuas aventuras. Amar é uma palavra muito forte para mim. E mesmo assim, é perfeita quando me lembro de ti.
***
Cada vez que abro o bloco de notas para escrever sobre ti acabo por fechá-lo com medo de que isto se torne real demais e eu perca o controlo. Se há coisa que me define é gostar de manter o controlo das situações. E tu gostas tanto de contrariar essa regra.
Devia perder o controlo mais vezes. De preferência contigo.


"Depois da tempestade vem a bonança" 
E como sempre não acreditei.

Os últimos meses foram uma mistura entre Katrina e Sandy.
 Uma mistura entre tentar viver e aprender a sobreviver.
 Um misto de sentimentos que envolvem estar submerso no meio do Atlântico,
 ou perdido no Kalahari.
Tempo de novas aprendizagens:
aprender a lidar com a maldade,
a crueldade,
a desumanidade.
Tempos de procurar energia nos lugares mais recônditos do ser,
aqueles que nós próprios desconhecíamos.
 Pensar mais além.
Desafir(-me) e superar(-me) dia após dias.
Acreditar,
sempre.

Rota reestabelecida. Chakras (quase) alinhados. Novos (bons) desafios.

 As dúvidas continuam a marcar lugar, as inseguranças continuam a fazerem-se notar e o medo, esse insiste em gritar do seu lugar e de pulmão cheio: “PRESENTE”.

O calor humano continua a ser o melhor do meu dia, a energia vai aos poucos sendo reestabelecida e a vontade de viver parece agora não ter fim.

O tempo das escolhas. O medo do desconhecido e do incerto. A luta diária: para ser, para viver, para conquistar e para manter perto de mim aqueles que jamais quero perder. 

Que saudades de me ver passar com o meu andar apressado e desajeitado, seguro com a minha insegurança e com um brilho no olhar tão próprio de quem ainda acredita. Com mala ou sem mala, com o braço cheio de pulseiras ou apenas com um banal relógio, de gravata ou de fato de treino, de preto ou com quase todas as cores do universo. 
Porra, sou eu que ali vou!
E tinha tantas saudades de me ver passar desta forma!

Sê bem vindo de volta Nuno,
Tivemos saudades.
 com aquele sorriso na cara,
sem pseudónimo.
 






Felicidade embebida em paz na alma são Sentimentos Puros e Essenciais, componentes estruturais do bem estar, capazes de otimizar a vontade de viver e de ser.

Aventura revestida de fosfadrenalina são nutrientes de origem emocional que, quando utilizado como suplemento ao dia-a-dia, podem melhorar a função de espalhar sorrisos e potenciar a boa vivência.

Sossego-3; Vitamina Conhecimento, Vitamina D, Sea-vitamina.

Fosfato de auto-confiança; Carbonato de música; Óxido de honestidade. Fumarato. Sulfato de novos amores e mononitrato de resistência à traição. Celulose de amizade pura. Antiódio e antimaldade. 

6% de novas aventuras 3% de raios de sol 7% de cheiro a maresia 8% piadas porcas 4% de noites de verão 3% de festas populares 5% de dias sem fim 6% amor 5% de música 7% de festivais de verão 5% de deambular sem destino 4% de bebidas frescas 6% de boa disposição 8% de irreverência 3% lugares novos e desconhecidos 6% de ser sem hesitar 5% de pura vida 9% de sonhos 7% de esperança



Queria eu encharcar-me em comprimidos.
Queria eu apenas conseguir ser.
Queria eu ser eu sem fim.
Queria eu não duvidar tão afincadamente.
Queria eu sentir que estão cá.
Queria eu amar.
Queria eu conseguir,
Queria eu voltar a ser eu.

Quero eu tanta coisa. E consigo tão pouco. 


Foram várias as vezes que me perguntaram 'Como é que tu consegues?', e eu nunca consegui responder de forma concisa. Não consegui sequer descobrir e consequentemente partilhar a fórmula que tanto jeito me dava neste momento. Hoje, esta semana, e em grande parte das passadas, respondo simplesmente com um 'não consigo', e é tão mais difícil não conseguir. A verdade é esta, sinto que a qualquer momento posso desmoronar. Se não rui já quase por completo. 
Parece cliché, mas o nosso grande problema é mesmo acharmos que somos de ferro. E agirmos como tal. Mas problema maior é os que nos rodeiam dispararem em todas as direções, esquecendo que somos pessoas, e como tal, não somos de ferro.
Hoje, nenhuma das lições de moral e de bom senso fazem sentido. A inocência do acreditar e a esperança esvaeceu-se. A fé dissipou-se. Restado apenas lugar para a descrença, o desânimo e o cansaço, muito cansaço. Cansaço do peso das palavras que ficaram por dizer. Das lágrimas que ficaram por chorar. Das pessoas que ficaram por amar. Dos gritos que carrego enrolados à garganta. Das vezes em que quis ser de ferro e fui apenas carne e osso.

A chuva cai e com ela cai mais um pedaço de mim. 
Porém, para o bem e para o mal, tudo tem um fim. 

A chuva acaba.
Os trovões deixam de se ouvir.
As nuvens abrem. 
E felizmente, 
sabemos que o melhor está por vir.


Tenho tantas dúvidas que não sei sequer se chegam a ser dúvidas. Sei que esta sociedade que tudo rotula complica ainda mais o que, por si, já tende a ser complicado. Não tenho dúvidas nenhumas que desde o primeiro minuto que te vi, te quis. Quis-te e, por sorte, tive-te. É engraçado pensar que se algum dia achei que ter-te me cansaria, estava muito enganado. Se esta estrada onde caminho se reduz cada vez mais a uma faixa, tu insistes em apanhar-me sempre na berma. E eu gosto tanto de te ter lá. Egoísmo, eu sei. Eu sei que este caminho que me leva sempre até ti, dificilmente passará de esporádicos encontros e desencontros, mas como dizem, o melhor está no caminho. E eu, apesar de não saber qual seguir, gosto muito que choques contra mim. É que esses choques só nós sabemos o quão divertidos, genuínos e bonitos conseguem ser. Tal como tu. Eu nunca pensei, mas estou pronto para o embate.
Afinal não tenho assim tantas dúvidas,
seja o que tu quiseres.
"Decide That You Want It More Than You Are Afraid of It"
Há coisas que se cruzam no nosso caminho que não podem ser ignoradas, e o poema desta música é uma delas.
Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro o amor em teu olhar
É uma pedra
Ou um grito
Que nasce em qualquer lugar


Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal aquilo que sou
Sou um grito
Ou sou uma pedra
De um lugar onde não estou


Às vezes sou também
O tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar


Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão


Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro as palavras por dizer
É uma pedra
Ou um grito
De um amor por acontecer


Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal p'ra onde vou
E esta pedra
E este grito
São a história d'aquilo que sou
Maria Guinot : Silêncio e tanta gente


http://pamsteenwijk.com/

Tento voltar a ser aqui e tento ser eu ali. Ajusto acolá. Coso e recoso. Colo o que persiste em descolar. Leio e releio a lição aprendida ao longo das experiências. Salto um metro. Nado 3 piscinas. Corro 5 quilómetros. Pedalo outros 10. Grito enquanto pedalo. Grito calúnias e chamo nomes a quem nem pelo nome merece ser chamado. Espalho, num mero desabafo, e com cada vez menos esforço, o que muitos consideram ser a boa nova. No fim, fumo um cigarro enquanto rimos, rimos tanto. Enquanto rimos percebo que, por eles, saltaria 20 metros, nadaria 10 oceanos, correria 20 quilómetros e pedalava 20 ou 30, os que fossem preciso. E gritaria, entretanto, o quanto gosto deles. Eles que são o meu porto seguro. Os que me garantem que todo este esforço compensa. Que este sangrar constante e recorrente, que esta maldade dissimulada que se atravessa no meu caminho é coisa passageira. Eles que não me deixam esquecer o valor que tenho. E que fazem questão de me relembrar que estão cá para mim. E isso, tem mais do que valor.
Já diziam os Deolinda que esta viagem é uma vida e que a maior urgência é gozar a vista e a companhia. Eu nem vou pelo destino, vou apenas pelo gozo que me dá este caminho, e vá ele aonde for, com eles há-de ser muito melhor. Que o gozo disto é mesmo ir andando. E nós, de braço dado, mais unidos que nunca, lá vamos indo. 
Eu, com vocês, nunca vou desistir, nem parar de andar. Por mais vezes que caia. 
E essa espécie toda, vocês meus filhos da puta, se têm assim tanta pressa, vão andando! De preferência para a puta que vos pariu!! Que coitada, sem a querer ofender, não tem assim tanta culpa de ter filhos com tanta maldade como vocês. 

Com mais amor do que nunca,
sem pseudónimo. 
resumo  do que tem acontecido ultimamente

Decidi que estava na altura de ter um blog que pudesse divulgar nas redes sociais sem me expor tanto. 
Este será sempre o meu blog.
O blog onde posso ver a minha evolução, onde estão grandes partes de mim e que me tem feito companhia tantas vezes. 
Continuamos a ver-nos aqui. 
Com um momento muito feliz ou com mais uma crise existencial.
Nos intervalos passem pelo Café com Desabafo. 
E não hesitem em desabafar. 
               Se por vezes já me abstenho, virando apenas as costas desiludido e sem fé na humanidade, por outras não consigo ficar calado. É que este bichinho que reside dentro de mim não me permite ouvir comentários, como os que ouvi hoje, sem ripostar. Choca-me, embora esteja cada vez mais habituado, os comentários que oiço e leio sobre a adoção por casais do mesmo sexo por parte dos mais velhos, mas choca-me mais, muito mais, quando os oiço vindo de pessoas da minha geração.
                Li hoje que as “crianças são como espelhos tudo aquilo que vêm” (de notar que o autor desta frase nem distingue o vêm do veem).  Ou seja, “adaptam-se e fazem igual, ao crescerem vão ter os mesmos atos e gostos que os pais” (do mesmo sexo, neste caso). “Logo iremos ter a cada dia que passa um maior número de casais homossexuais”. Esperem, o melhor está para vir…. “E depois? Quem vai procriar? Irão ser criados clones? Ou vão criar bebés em laboratório... Poupem-me” Não! Poupem-me é a mim. E a todos os que tiveram de ler esta atrocidade!
                Bem, se na altura me abstive e não me atirei de cabeça na discussão, deixo aqui e agora a minha resposta. Resposta a todos os que pensam como esta mente brilhante. E deixo-vos com o texto que serviu de base à minha oral de Português do 12º ano, que após algum trabalho de pesquisa, foi apresentada em frente a uma turma de 30 pessoas.


            Eu hoje venho falar-vos de um tema tão simples e polémico como a homossexualidade. Talvez não tenha sido muito esclarecedor, eu hoje venho falar-vos de paneleiros, bichas, fodilhões, gays, aberrações, fufas, hermafroditas, virados e continuaria manhã adentro a enumerar todos os nomes pejorativos que existem para descrever SIMPLESMENTE uma pessoa que tem uma orientação sexual diferente da considerada maioria.
            Queria começar por vos ler uma frase de revista Time de 1996.
"Mesmo em termos puramente não-religiosos, a homossexualidade representa um mau uso da faculdade sexual. É um patético e pequeno substituto de segunda categoria para a realidade – um voo lamentável da vida. Como tal, não merece compaixão, não merece tratamento como martírio de minoria, e não merece ser considerado algo mais do que uma doença perniciosa."
             Lemos isto e percebemos que realmente evoluímos, que apesar de todo o caminho que ainda temos pela frente para romper com o preconceito, realmente evoluímos e ninguém o pode negar. Mas depois, estamos em Dezembro de 2015, em pleno séx XXI, e não precisamos de sair desta sala para encontrar preconceito, numa sala com jovens, que deveriam traduzir um futuro livre de preconceito e homofobia. Muitos dos presentes nem são homofóbicos, nem têm nada contra MAS…. Lá está… desde que não se cheguem para o pé de vocês. E o que me dá mais piada, no meio disto tudo, são os machões, os grandes machões héteros mais héteros que os próprios héteros, sempre cheios de preconceitos, e que passados anos e anos de levarem uma vida de preconceito e repugnância perante homossexuais, decidem parar de viver numa mentira e assumir-se. Mas o principal, para esses machões, é psicológico, porque afinal de contas, ser homem é dominar, penetrar é símbolo de virilidade, e têm muito medo de não saber, afinal o que é ser homem.
            Eu não tenho dúvidas de que a educação que tivemos, a cultura em que crescemos e a sociedade em que vivemos veiculam várias ideias acerca dos outros e do mundo que nos rodeia, ideias que aceitamos como verdadeiras, a maior parte das vezes, sem pensar muito no assunto. Mas ao mesmo tempo questiono-me se ser pouco usual é uma condição suficiente para que algo possa ser considerado errado? E percebo imediatamente que não. Pois então pintar o cabelo de cor-de-rosa choque ou ser albino era errado e deveria ser condenado.
            Não sei, se ainda há alguém aqui que ainda acha que ser homossexual ou heterossexual se escolhe, que é uma decisão ponderada e consciente, como se de um botão se tratasse, liga-se quando nos apetece e desliga-se quando nos é oportuno. Se há coisa que me incomoda mais do que isto, neste assunto, é os estereótipos que ao longo dos anos se criaram. Se alguém defende a igualdade e direitos dos homossexuais é gay. Se é deve ter estacionado lá fora um carro todo larilas, cor-de-rosa, cheio de pompos, ou se calhar até veio num unicórnio quem sabe. Se uma mulher é lésbica deve vestir-se como um homem, usar assim um bom sapato, de vez em quando até escarra para o lado. “É pah, que ela é mais homem que muitos que aí andam!” E depois, oiço mulheres dizerem que são “semi-mulheres” porque, por exemplo, não gostam de se maquilhar, e toda a gente acha imensa piada. Mas ai, ai de um homem que diga que é semi-homem, é que aí todos os que estão à sua volta começam a imaginar como é que deve ser a cuequinha fio dental cor-de-rosa que está a usar.
            E nenhum dos anteriores pode ter os mesmos direitos que qualquer cidadão deveria ter. De que nos serve o artigo 13º da constituição portuguesa, o princípio da igualdade, que nos diz que “Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.” Está na lei que todos devem ser tratados de forma igual, mas depois um casal homossexual só pôde casar a partir 2010, por exemplo.
            Eu divirto-me a analisar alguns dos contra argumentos que são usados nos mais diversos espaços. Comecemos com o ser “contra a natureza”. Mas rapidamente percebemos que também as roupas e os carros são contra a natureza, sendo assim tínhamos de prescindir do conforto das roupas, dos automóveis, televisões, avanços médicos e tecnológicos, basicamente do conforto da civilização. Depois, em relação à bíblia e a Deus, a minha parte preferida, e pressupondo …
1.      existência de Deus;
2.      que a Bíblia corresponde exatamente à palavra de Deus;
3.      que é razoável ou sequer possível seguir integralmente as proibições ou permissões presentes na Bíblia.
            Então vamos lá ver isto. Deus não discrimina uma pessoa diferente, por exemplo, cega. Talvez até tenha dó e a guie na vida. Então, por alma de quem, é que há-de discriminar os homossexuais? Aliás no Levítico (3ºlivro da bíblia) lê-se: “Não podes deitar-te com homem como com mulher; é uma abominação.” Mas também se lê… proíbe a ingestão de gorduras (7:23), que a barba deve ter uma forma quadrada (19:27) e que devemos comprar escravos em estados vizinhos (25:44) e que as mulheres não podem ir à igreja depois de terem filhos. E eu nunca vi uma mulher escrava, comprada a um estado vizinho, que está à porta de uma igreja, pois não pode entrar, porque já não é pura, ao lado de um homem com barba quadrada, os dois à fome porque só têm um folhado e não podem ingerir gorduras. 
            Ainda há outros que dizem que se permitirmos o casamento e a adoção por parte de casais homossexuais, em breve toda a gente será homossexual. A isto só tenho uma resposta:  o facto de permitirmos o casamento e a adoção por parte de casais heterossexuais é uma condição suficiente para que todos sejam heterossexuais?! Também há o típico “Se algo puser em risco a preservação da espécie humana, caso toda a gente o pratique, então é errado.”. Mas também se todos fôssemos celibatários, a espécie humana acabaria por se extinguir; mas isso não significa que o celibato deva ser considerado errado ou proibido.
            Em relação à adoção, que por obra do espírito santo, e talvez de mentes um bocadinho menos conservadoras, foi aprovada no mês passado. Finalmente dois pais ou duas mães podem adotar uma criança, e assim construir uma família e ser feliz. Apesar disto, as demais mentes retrógradas continuam contra esta aprovação. Imaginem só, porque, por exemplo, podem gozar com a criança. Porém, basta lembrar-nos de que, na nossa história, o simples facto de a mãe de alguém, em tempos, ter usado jeans já tenha servido para fazer pouco de uma criança; contudo, daqui não se conclui que devemos proibir as mulheres de usar jeans. O facto de algo poder conduzir à chacota não é uma razão suficiente para ser proibido (pense-se no que aconteceria à liberdade de expressão). O que é verdadeiramente importante é preparar as crianças e os jovens para pensarem criticamente sobre os insultos e provocações que lhes são dirigidos; deste modo, poderão constatar que, em certas situações, não há qualquer fundamento para tais atitudes, que devem assim ser desvalorizadas. E, nunca se esqueçam, nenhuma criança nasce racista e homofóbica, cabe-nos a nós, futuros pais, não incutir estes valores. Ainda em relação à adoção, podemos também, recorrer ao argumento baseado no interesse superior da criança, apelo ao ponto 1 do Artigo 3 da Convenção sobre os Direitos da Criança da Unicef, que diz:
“Todas as decisões relativas a crianças, adotadas por instituições públicas ou privadas de proteção social, por tribunais, autoridades administrativas ou órgãos legislativos, terão primacialmente em conta o interesse superior da criança.”
            No entanto, depois de termos estabelecido que os argumentos contra a homossexualidade fracassam, na sua tentativa de mostrar que há algo de errado com a homossexualidade, não percebo de que forma se pode justificar que é do interesse superior de uma criança permanecer numa instituição, em vez de poder pertencer a uma família que seja capaz de satisfazer as suas necessidades materiais e, sobretudo, afetivas. Uma criança órfã foi abandonada por dois pais héteros. Desde quando é que é mau ter dois pais ou duas mães? É melhor não ter nenhum, então? Mas hoje, felizmente, todas as pessoas que se amam podem constituir uma família. E isto fez-me ter um pingo de esperança, nas pessoas, no meu país, no Mundo.
            Já agora, a Escala de Kinsey tenta descrever o comportamento sexual de uma pessoa ao longo do tempo. Usa uma escala iniciada em 0, ou seja uma pessoa exclusivamente heterossexual, e termina em 6, para comportamentos exclusivamente homossexuais. E no número três temos a bissexualidade. Deixem-me ser claro sobre isto – e isto é muito importante – não estou a dizer de maneira nenhuma que não existe uma preferência. Mas os seres humanos não são unidimensionais. O mais importante a retirar do sistema de Kinsey é isto: se tiverem as pessoas homossexuais aqui (no 0) e as pessoas heterossexuais aqui (no 6), mesmo reconhecendo que a maioria das pessoas se identifica como estando algures mais próximo de um extremo ou do outro, há este vasto espectro de pessoas que existe pelo meio (1,2,3,4,5). E a realidade que isto representa é uma realidade complicada. Porque, por exemplo, se aprovarmos uma lei que permite aos patrões despedirem empregados por comportamento homossexual, onde é que vamos traçar o limite, exatamente? Será aqui, junto das pessoas que até agora tiveram uma ou duas experiências heterossexuais? Ou será antes aqui, junto das pessoas que apenas tiveram uma ou duas experiências homossexuais até agora? Onde, exatamente, é que alguém se torna um cidadão de “segunda”? Eu desafio-vos a fazer o teste, e vão ver como alguns de vocês vão ficar surpreendidos – “ah afinal não sou assim tão saudável como pensava!” - porque a complexidade do ser humano não é tão simples como preto e branco, é muito mais complexo que isso.
            Espero que estas categorias, estes binários, estes rótulos excessivamente simplificados, comecem a tornar-se inúteis e comecem a desaparecer. Porque, a sério, não descrevem nada do que vemos nem ninguém que conheçamos nem nada do que somos. O que vemos são seres humanos com toda a sua multiplicidade. Portanto, é a eles, em particular e no geral, que escolheriam negar o direito a uma casa, o direito a adotar uma criança, o direito ao casamento, a liberdade de fazer compras aqui, de viver ali, de comprar acolá? São eles que rejeitam como vosso filho ou como vosso irmão, irmã, mãe ou pai, como vosso vizinho, vosso primo, vosso tio, vosso presidente, vosso polícia ou bombeiro? É tarde de mais. Porque “eles” já são todas estas coisas. Já todos são estas coisas e sempre foram. Portanto, não os tratem como estranhos, mas cumprimentem-nos como vossos semelhantes, ponto final.
            Quero acabar com uma citação de um dos nossos maiores lutadores pela liberdade que já não está connosco, Nelson Mandela. Mandela disse: "Para sermos livre não basta libertarmo-nos das correntes, mas vivermos de uma forma que respeite reforce a liberdade dos outros". Portanto, enquanto estes movimentos continuam, e enquanto as lutas pela liberdade continuam em todo o mundo, não nos esqueçamos que “eles” são pessoas. E nós não temos de opinião a favor ou contra, mas simplesmente respeitar. Estas pessoas só querem ser felizes e ter os mesmos direitos, direito à liberdade, ao amor. E quem é que tem o direito de lhes negar isto? Ninguém. Nunca se esqueçam disto: NINGUÉM, em qualquer circunstância, deve ter direito de privar os direitos de outra pessoa. A liberdade de uma pessoa acaba a partir do momento em que se priva outra de ser livre.
Obrigado.




- certo dia, por aí. A ser feliz. 

Hoje encontrei o paraíso. Sentado numa fria pedra de mármore, a absorver os aconchegantes raios do charmoso sol de inverno. A senhora com robe cor-de-rosa lutava avidamente de vassoura na mão contra as folhas no quintal. Um senhor com uma vida vivida e cabelos marcados pelo tempo, passava de bicicleta, feliz e a assobiar, despreocupado com as ordens dadas pelos ponteiros do relógio. Na playlist passava Ophelia dos The Lumineers e a mordaz voz de Tallest Man on Earth. A companhia, e minha companheira, abanava o pé a cada acorde. E ansiava cada minuto que passava. Eu, como já vem sendo frequente, tinha a cabeça no futuro. Pensava em cada pormenor que faltava ajustar, e ajustava-o mentalmente. Naquele momento até a brisa soava a poesia. Sussurrava-me ao ouvido frases bonitas e tranquilizadoras. 
São destes pequenos momento que sou feito. São destes pequenos momentos que a vida é feita. Basta saber encontrá-los. E encontrarmos-nos neles.

Ocupado a fazer o que gosto e a ser feliz.
Volto em breve.
Infelizmente.

Marchemos em frente. É este o caminho certo. O caminho da diferença, da irreverência. É por aqui que vamos! Aqui onde esquecemos esta sociedade de merda, estas categorias, estes binários, estes estereótipos e estes rótulos excessivamente simplificados. Porque, a sério, não descrevem nada do que vemos, ninguém que conheçamos,  nem nada do que somos. O que vemos são seres humanos com toda a sua multiplicidade. Da cor que cada um quiser. Com os piercings e tatuagens que bem entender. E com as roupas que lhe der na cabeça. É por aqui que vamos. E porra! É por aqui que eu quero ir. O meu bilhete é só de ida. E acreditem, vou dar tantas voltas.